Felipe: 20 anos de Parsifal

Atualizado: 3 de mai.

A família dos Anjos Santos esperava ansiosa por seu primogênito, o ano era 1994. Com uma gravidez tranquila Joana e seu marido estavam curtindo esse momento com plenitude. Em seis meses de gestação, para surpresa de todos, o pequeno Felipe nasceu, mas precisou lutar pela vida, acabou sendo internado na UTI e só recebeu alta depois de 4 meses. Sua infância foi atípica, até 1 ano de idade mal se levantava, não mexia a cabeça e, depois de alguns anos e muitos exercícios, sempre com acompanhamento médico público, passou a engatinhar e somente aos 4 anos começou a andar com ajuda de uma bota ortopédica.


(Felipe aos 4 anos, quando começou a andar.)


Com o passar dos anos passou por inúmeras consultas e idas e vindas a médicos e veio a constatação do diagnóstico de Felipe: autismo com grau moderado.

Por volta dos 06 anos a família conheceu a Parsifal. E relata que nesta época ele não comia praticamente nada, nenhuma fruta ou pão, só gostava de suco de limão. Ele era uma criança muito agitada, e com o passar do tempo foi adquirindo um comportamento mais tranquilo e superando seus próprios desafios.



Chegada na Escola Especial

(Aos 07 anos na aula de desenho de formas)


Na Escola Especial as aulas de desenho de formas e música eram visivelmente os momentos preferidos de Felipe, além de ser o ajudante da professora. Em sala de aula, quando estimulado ele adorava guardar os cadernos, colocar as coisas no lugar. Ele tinha necessidade de organização e a família direcionou positivamente esse comportamento em casa. Com 07 anos já guardava as compras de mercado e até hoje é ele que arruma as camas pela manhã, fecha as janelas da casa à noite e não gosta de ver nada bagunçado.





(Comemorando seus 13 anos na Escola com a família )

Ele demonstrava adorar as aulas e cuidava muito bem dos seus cadernos escolares e os reconhecia. Felipe tem dificuldade de se expressar através da fala e a professora Adriana ficava pensando o que ele realmente havia absorvido de conteúdo das aulas que eram de Matemática, Português, Botânica, História, Contos de Fadas, Geografia, Física, Química. “Depois de começar a frequentar as Oficinas Terapêuticas aos 16 anos, Felipe parou diante de mim e a mãe dele Joana me falou que achava que ele queria me dizer algo, ele começou a contar de 1 a 10 mostrando com os dedos como eu fazia, essa cena ficou muito marcada na minha memória, me emocionei demais. É como se ele soubesse da minha dúvida, sobre o que de fato ele aprendia durante as aulas. Fiquei surpresa e muito feliz e disse: Joana ele sabe contar!”, explica a Coordenadora da Escola Especial Adriana Iozzi que foi professora de Felipe por 8 anos.


Ida para as Oficinas Terapêuticas


(Felipe em atividade nas Oficinas terapêuticas)


Aos 16 anos Felipe ingressa nas Oficinas Terapêuticas da Parsifal que têm foco no trabalho e dão ênfase ao convívio humano e ao desenvolvimento das habilidades manuais, promovendo a interação social e a autonomia. Jovens e adultos executam trabalhos em marcenaria, tecelagem, confecção de instrumentos musicais, feltragem e panificação como meio de alcançarem desenvolvimento motor, psíquico e social.

Outro ponto importante na vida adulta é a continuidade do cultivo de atividades artísticas e culturais, tais como dança, teatro, música, além do trabalho de conscientização corporal através de yoga e euritmia que são as aulas que permeiam o currículo das Oficinas.


“Durante todos esses anos o desenvolvimento do Felipe foi vísivel para nós e é reconhecido pela família. Conquistou várias capacidades, dentre elas, habilidades manuais e motoras, ritmo, convívio social, alcançando assim a grande meta das Oficinas Terapêuticas que é o trabalho com o outro e para o outro”, explica Ana Maria Varejão Coordenadora das Oficinas Terapêuticas.


Obra de arte que Felipe fez em conjunto com as terapeutas da Oficina de tecelagem e foi vendida no Bazar de Natal 2021.


Em 2021 em nosso Bazar de Natal, no qual vendemos peças das Oficinas feitas pelos alunos, a visitante Andrea Pires de Oliveira se encantou por um bordado feito por Felipe. Essa obra de arte hoje se encontra em seu quarto e ela descreve a emoção de quando viu a peça pela primeira vez: “Eu fiquei impactada e não consegui descrever em palavras a emoção que senti quando vi essa peça pela primeira vez, só queria tê-la perto de mim e fiquei curiosa de quem a havia feito. Perguntei para a moça que estava vendendo e ela me disse que a pessoa não estava ali, que era o Felipe, mas que ela poderia me enviar um vídeo dele produzindo a peça para que eu pudesse conhecê-lo.”, explica Andrea.


Felipe gosta tanto de vir para a Parsifal que sua mãe não mede esforços para tal. Ela se levanta as 04h da manhã para começar os preparativos para chegar as 08h na Instituição, depois de enfrentar 3 ônibus na ida e na volta. E como ela não consegue voltar para o lar, por conta da distância, Joana fica na Parsifal ajudando no que for necessário.


Passaram-se 20 anos que vivenciamos a companhia de Felipe e ficamos muito felizes e honrados pela confiança e carinho que a sua família deposita em cada um de nós da Parsifal. Que possamos estar por muito tempo juntos nesta caminhada, aprendendo e ensinando sempre.


 

Felipe: 20 years of Parsifal


The Anjos Santos family was anxiously waiting for their firstborn, the year was 1994. With a peaceful pregnancy Joana and her husband were enjoying this moment to the fullest. In six months of pregnancy, to everyone's surprise, little Felipe was born, but he had to fight for his life, ended up being admitted to the ICU and was only discharged after 4 months. His childhood was atypical, until he was 1 year old he barely got up, he didn't move his head and, after a few years and lots of exercises, always with public medical supervision, he started to crawl and only at the age of 4 he started to walk with the help of a boot.

orthopedic.


Over the years, he went through numerous consultations and visits to doctors and came to the realization of Felipe's diagnosis: autism with a moderate degree. Around the age of 6, the family met Parsifal. And he reports that at that time he ate practically nothing, no fruit or bread, he only liked lemon juice. He was a very agitated child, and as time went by, he acquired a calmer behavior and overcame his own challenges. Arrival at the Special School (At age 7 in the shape drawing class) At Escola Especial, classes in drawing shapes and music were clearly Felipe's favorite moments, in addition to being the teacher's assistant. In the classroom, when stimulated, he loved putting away his notebooks, putting things in their place. He had a need for organization and the family positively directed this behavior at home. At the age of 7, he already put away his grocery shopping and to this day he is the one who makes the beds in the morning, closes the windows of the house at night and doesn't like to see anything messy.


He seemed to love the classes and took very good care of his school notebooks and recognized them. Felipe has difficulty expressing himself through speech and teacher Adriana kept thinking about what he had really absorbed from the content of the classes that were Mathematics, Portuguese, Botany, History, Fairy Tales, Geography, Physics, Chemistry. “After starting to attend the Therapeutic Workshops at age 16, Felipe stopped in front of me and his mother Joana told me that she thought he wanted to tell me something, he started counting from 1 to 10 showing with his fingers how I did it, this scene was very marked in my memory, I was very emotional. It's as if he knew about my doubt, about what he actually learned during classes. I was surprised and very happy and said: Joana, he can count!”, explains the Coordinator of the Special School Adriana Iozzi, who was Felipe's teacher for 8 years.


Go to Therapeutic Workshops


At the age of 16, Felipe joins Parsifal's Therapeutic Workshops, which focus on work and emphasize human interaction and the development of manual skills, promoting social interaction and autonomy. Young people and adults work in woodworking, weaving, making musical instruments, felting and baking as a means of achieving motor, psychic and social development.


Another important point in adult life is the continuity of the cultivation of artistic and cultural activities, such as dance, theater, music, in addition to the work of body awareness through yoga and eurythmy, which are the classes that permeate the curriculum of the Workshops. “During all these years Felipe's development has been visible to us and is recognized by the family. He conquered several abilities, among them, manual and motor skills, rhythm, social interaction, thus achieving the great goal of the Therapeutic Workshops, which is to work with and for the other ”, explains Ana Maria Varejão Coordinator of Therapeutic Workshops. Work of art that Felipe made together with the therapists of the Weaving Workshop and was sold at the Christmas Bazaar 2021. In 2021 at our Christmas Bazaar, where we sell pieces from the Workshops made by students, the visitor Andrea Pires de Oliveira was enchanted by an embroidery made by Felipe. This work of art is now in her room and she describes the emotion of when she saw the piece for the first time: “I was shocked and couldn't describe in words the emotion I felt when I saw this piece for the first time, I just wanted to have it. next to me and I was curious who had made it. I asked the girl who was selling it and she told me that the person wasn't there, that it was Felipe, but that she could send me a video of him producing the piece so I could meet him,” explains Andrea. Felipe likes to come to Parsifal so much that his mother spares no effort to do so. She gets up at 4 am to start preparations to arrive at the Institution at 8 am, after facing 3 buses on the way and back. And as she cannot return home, due to the distance, Joana stays at Parsifal helping with whatever is necessary.


It has been 20 years since we have lived in Felipe's company and we are very happy and honored by the trust and affection that his family places in each of us at Parsifal. May we be together for a long time on this journey, always learning and teaching.

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