Abrindo meu coração: testemunho de Juliana Tancredo, diretora executiva do Instituto Jacarandá

Atualizado: Jun 16

Hoje vim aqui compartilhar, a pedido do querido Dr. John, como tenho visto essa situação.

Juliana Puggina Tancredo (Cedida pela Autora)

E logo pensei.... Quem diria que o distanciamento iria nos aproximar da nossa essência? Que iríamos partilhar mais almoços em família e mais brincadeiras com nossos filhos? Que as escolas, ah as escolas... elas teriam que se redescobrir e no meio de tanta turbulência, continuar pensando nas suas crianças?

E nesse movimento, nós também paramos para olhar as crianças com mais atenção: as nossas, aos do outro e a nossa criança interior! Precisamos reaprender a cuidar, numa realidade onde elas ficam em casa o tempo todo, com todas as necessidades: fisiológicas, emocionais e mentais supridas por nós, seus pais, em tempo integral!

Enquanto escola, continuamos a pensar nas crianças e enfatizar ainda mais o cuidado com elas e agora com suas famílias. Nossas inquietações vieram à tona e as perguntas continuaram efervescendo em nossos pensamentos: Aquela criança que tinha dificuldade na alimentação ou aquela que mal tinha o alimento, estão conseguindo se alimentar? será que as atividades em frente à tela do computador/celular são as melhores? Estamos ou não contribuindo para um momento de brincadeira entre pais e filhos ou oferecendo “um trabalho extra” para as famílias que também estão se reinventando?

E aos poucos, vamos nos dando tempo, ouvindo os outros e nessa escuta, fiquei extremamente emocionada quando uma das nossas professoras disse: “eu faço os vídeos com prazer, mas como é difícil falar para as crianças, sem conseguir ver os olhinhos deles sorrindo para mim”...

E isso, trouxe a reflexão: e a nossa criança interior? Nós também temos receio pelo futuro dos nossos pais, filhos, amigos e o próprio futuro. Sim, porque no final, se temos receio é porque os amamos e queremos todos num “pacotinho especial”: o pacotinho do cuidado, da cura do futuro!

Então, o melhor a se fazer é continuar dia após dia fazendo o nosso melhor para o outro e para nós mesmos! Parece besteira, mas fazer o melhor que você pode neste dia, para aqueles que estão na mesma casa que você ou não.

Mesmo com o distanciamento social, podemos nos fazer presentes. E, com tudo isso, tenho aprendido a valorizar e agradecer dia após dia o “abrir os olhos” numa manhã. Podemos valorizar as relações, que mesmo por vídeo, você ainda pode perceber os olhinhos do outro, lá do outro lado do vídeo. Podemos agradecer por todas as pessoas que não víamos há tempos e como num passo de mágica, voltamos a nos reunir, mesmo com um oceano a distanciar. Onde os reencontros foram possíveis e, através desses reencontros virtuais, conseguimos voltar a nossa essência: nossa família, os amigos de infância e adolescência... a “galera” do prédio, os amigos do ex trabalho e perceber que mesmo com o tempo, localização geográfica e o tal distanciamento, continuamos unidos, revivendo momentos felizes e planejando novos encontros, assim que tudo isso passar.

Use e abuse das memórias afetivas, daquelas que buscamos lá no fundo do nosso coração, as vezes no começo da vida !

Mais do que nunca, precisamos entender que a maneira de olhar para o “problema” muda significativamente todo o nosso entorno. Realmente o mundo nunca será o mesmo, assim como nós! Tudo dependerá de como daremos continuidade em nossa vida e como seguiremos com nossos sentimentos e ações. E por falar em ações... você continuou seu trabalho voluntário? E você aí, começou a ajudar alguém? Todo movimento importa, agora mais do que nunca !

E sempre vale a pena relembrar o ditado da vovó: do limão, vamos fazer uma beeeeela limonada!

Desejo de todo coração, que os aprendizados desse período se perpetue por toda a vida! E que recomeços sejam regados de amor e gratidão.


Com carinho, Juliana Puggina Tancredo, filha, mãe, esposa, amiga e Diretora Executiva do Instituto Jacarandá de Educação Infantil.


Reflections by Juliana Tancredo, executive director of the Jacarandá Institute


Today I came here to share, at the request of dear Dr. John, how I have seen this situation.


And then I thought .... Who knew that distancing would bring us closer to our essence? That we would share more family lunches and more games with our children? That schools, ah the schools ... would they have to rediscover themselves and in the midst of so much turbulence, and keep on thinking about their children?

And in this movement, we also stopped to look at the children with more attention: ours, those of othesr and our inner child!


We need to relearn how to care for them, in a reality where they stay at home all the time, with all the needs: physiological, emotional and mental supplied by us, their parents, full time!


As a school, we continue to think about children and emphasize even more care for them and now for their families. Our worries surfaced and the questions continued to simmer in our thoughts: that child who had difficulty in feeding or those who barely had food, able to feed themselves? are the activities in front of the computer / cell phone screen the best? Are we or are we not contributing to a moment of play between parents and children or offering “extra work” to families that are also reinventing themselves?

And little by little, we give ourselves time, listening to others and, in that listening, I was extremely moved when one of our teachers said: “I make the videos with pleasure, but how difficult it is to talk to the children, without being able to see their little eyes smiling at me"...


And that brought up the reflection: what about our inner child? We also are afraid for the future of our parents, children, friends and our own future. Yes, because in the end, if we are afraid, it is because we love them and want them all in a “special package”: the package of care, of healing for the future!


So, the best thing to do is to continue day after day doing our best for each other and for ourselves! It sounds silly, but do the best you can on this day, for those who are in the same house as you or not.


Even with social distancing, we can make ourselves present. And with all this, I have learned to appreciate and thank day after day for “opening my eyes” in the morning. We can value relationships, that even by video, you can still see the eyes of the other, on the other side of the video. We can thank all the people we haven't seen in a while and as if by magic, we got together again, even with an ocean between us. Where the reunions were possible and, through these virtual reunions, we managed to return to our essence: our family, the childhood and adolescence friends ... the "people" of the building, the friends of our former work, and realize that even with time, geographical location and such distance, we remain united, reliving happy moments and planning new meetings, as soon as all of this is over.

Use and abuse affective memories, the ones we seek deep in our hearts, sometimes in the beginning of life!


More than ever, we need to understand that the way of looking at the “problem” significantly changes everything around us. The world will never really be the same, just like us! It will all depend on how we continue our lives and how we proceed with our feelings and actions. And speaking of actions ... have you continued your volunteer work? And you there, did you start helping someone? Every movement matters, now more than ever!


And it's always worth remembering Grandma's saying: from the lemon, let's make a delicious lemonade!


I wholeheartedly hope that the learning of this period will be perpetuated throughout life! And may new beginnings be showered with love and gratitude.


With love,


Juliana Puggina Tancredo, daughter, mother, wife, friend and Executive Director of the Jacarandá Institute for Early Childhood Education.

ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE

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