Tércio Pereira: exemplo do poder transformador da música


Se tem uma pessoa que a gente pode considerar a cara do Instituto Anelo, esse alguém é Tércio Pereira. Hoje com 41 anos, o professor de Prática de Banda Iniciante, saxofonista, flautista, montador e arquivista da Orquestra Anelo chegou ao Instituto em 2000, ou seja, logo no início do projeto, e é um exemplo de que a música realmente transforma vidas. Tanto que ele deixou uma posição no funcionalismo público municipal para se dedicar 100% à música.


“Comecei a trabalhar quando tirei a Carteira de Trabalho, aos 14 anos, e nunca parei. Tirei a Carteira de Habilitação no mês do meu aniversário de 18 anos e já comprei minha primeira moto e meu primeiro carro, pois fazia economias para tal. E quando completei 18 anos, abriu concurso para agente de trânsito em Campinas. Prestei o concurso e passei”, conta o músico, que trabalhou na Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) por 12 anos.


Porém, a música já fazia parte da vida de Tércio. Ele, que tem músicos na família, incluindo um tio saxofonista dos bons e outro que foi cantor na escola de samba Sociedade Rosas de Ouro, de São Paulo, começou a ter aulas de cavaquinho aos 17 anos. Foi por indiciação de seu professor, com quem conversava sobre a vontade de aprender saxofone, que, em 2000, Tércio chegou ao Projeto Unibanda, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).


“Ele me falou desse projeto, que ensinava instrumentos de sopro. Eu não aguentei, fui até lá conhecer e me inscrevi, claro. A partir desse momento começa minha trajetória como saxofonista e flautista.” Durante os cinco anos em que participou do projeto, Tércio tocou nas bandas da Unicamp, na Orquestra Filarmônica de Campinas, na Orquestra de Flautas, na Banda Carlos Gomes e na Corporação Musical Campineira dos Homens de Cor.


E foi no mesmo ano em que começou no Projeto Unibanda, atualmente chamado Escola Livre de Música (ELM), que Tércio chegou ao Anelo. “Assim que o Anelo começou a funcionar, conheci o Luccas (Soares, fundador e coordenador geral) e fui convidado a participar da primeira Prática de Banda. O Anelo, pra mim, representa músicas e músicos com qualidade. Mostra que uma periferia pode ter música instrumental e músicos excelentes”, afirma o professor.


Ao longo desses 20 anos, Tércio se tornou parte importante da família Anelo e, o que merece todos os louvores, não parou de investir na própria formação como músico e educador. Ele cursou MPB e Jazz no Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos, em Tatuí, de 2004 a 2006; estudou na Faculdade Souza Lima, em São Paulo, 2008 a 2010; fez curso livre de Áudio Analógico e Digital, de 2010 a 2014; e também de Sonorização de P.A. e Estúdio.


Em 2018, formou-se pedagogo pela Faculdade Anhanguera de Campinas. “Hoje posso dizer que sou um professor/educador. Estou vivendo a melhor fase de minha vida”, diz Tércio, que além de lecionar no Instituto Anelo é professor de cavaco, saxofone e flauta transversal nas escolas Master Guitar, em Barão Geraldo, e Cia do Groove, no Centro. Também é professor e instrutor de Bandas e Metais da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.


“Trabalho com duas escolas por ano, onde faço a captação dos alunos interessados em música, sem idade e restrições, para aprender desde o básico em rítmica musical e corporal até instrumentos de sopro”, explica. O objetivo desse projeto, conta, é o de formar bandas sinfônicas escolares que substituem as antigas fanfarras. São oferecidas aulas teóricas e técnicas musicais, acompanhadas de todo um processo de lapidação. Ao final do semestre, acontecem as apresentações.


Mesmo com todas essas atividades, Tércio Pereira ainda se dedica a outra de suas paixões: o samba. “Quem me conhece sabe que nasci no samba”, diz o músico, que já companhou nomes importantes do gênero como Almir Guineto, Fundo de Quintal, Marcelinho Freitas, Márcio Art, Joãozinho Carnavalesco dos Originais do Samba, Nereu do Trio Mocotó, Teresa Gama e Matoli do Clube do Balanço. Atualmente integra os grupos Nossa Maneira, de Campinas, e Samprazer, de São Paulo.


Além de apresentação em shows, ele ainda gravou com alguns grupos de samba da região, tais como o Sempre à Frente, de Indaiatuba, e o Grupo Presença, de Campinas; com Thiago Carvalho e Banda, de Barão Geraldo, trabalho este dedicado ao pop; e com o projeto Dom Bosco Soul, criado pelo amigo e professor Fábio Fidélis, no qual fez produção, arranjos, mixagem, masterização e gravação. “Foi um trabalho maravilhoso”, afirma.


VIAGENS INTERNACIONAIS


Graças ao Instituto Anelo, Tércio Pereira viajou três vezes ao Exterior: Itália, em 2015 e 2016, e África do Sul, em 2018. “Pensei, sim, em um dia fazer uma viagem ao Exterior, conhecer novas culturas, lugares bonitos e tal. Mas nunca havia imaginado que a música poderia me proporcionar isso”, diz, lembrando do primeiro convite para que o Anelo participasse do Arcevia Jazz Feast, seminário de jazz e improvisação que acontece anualmente na cidade de Arcevia, na Itália.


Ele conta que aceitou de pronto o convite feito por Luccas Soares para integrar o grupo, que fez bazar, vendeu pizzas, se apresentou em festas juninas e fez shows em praças públicas pagas pela Prefeitura de Campinas com o objetivo de levantar fundos e custear a viagem e hospedagem. “Fomos com a cara e a coragem e muita força de vontade. Uma das melhores experiências da minha vida.” Em 2016, o músico voltou a participar o evento, que se tornou parceiro do Instituto Anelo.


Em 2019, foi a vez de embarcar para África do Sul, para onde viajou com o Anelo 6teto, vejam só, como percussionista. “Pela primeira vez me senti um artista de verdade”, diz Tércio sobre a participação do grupo no Standard Bank Jazz Festival na cidade de Makhanda. “É uma baita estrutura, festival internacional. Este tenho vontade de retornar sim, porque fizemos boas amizades, me fez crescer como pessoa e me fez aprender o idioma” – na África do Sul fala-se inglês.


“A música me levou e me levará a lugares que nem imagino, e sou grato ao Anelo e ao Luccas Soares por isso”, completa o professor, que tocou em bandas de baile, de rock e de casamentos, e se mostra um pai orgulhoso pelo filho Gustavo dar os primeiros passos na música. “Ele já está até arriscando uns estudos de flauta transversal e fez aulas no Anelo no semestre passado. Adoro, claro, terá todo o incentivo e apoio do pai.”


A FRASE “Voe com a música, ela transforma e eu acredito.”


Tércio Pereira: an example of the transformative power of music


If there is a person that we can consider the face of Instituto Anelo, that someone is Tércio Pereira. Today, at the age of 41, the Beginner Band Practice teacher, saxophonist, flutist, editor and archivist of the Anelo Orchestra arrived at the Institute in 2000, that is, right at the beginning of the project, and is an example that music really transforms lives. So much so that he left a position in the municipal civil service to dedicate 100% to music.


“I started working when I took the Work Permit, at 14, and I never stopped. I took my driver's license in the month of my 18th birthday and I already bought my first motorcycle and my first car, because I was saving for that. And when I turned 18, I opened a tender for a transit agent in Campinas. I took the contest and passed ”, says the musician, who worked at the Municipal Development Company of Campinas (Emdec) for 12 years.


However, music was already part of Tércio's life. He, who has musicians in his family, including a good saxophonist uncle and another who was a singer at the samba school Sociedade Rosas de Ouro, in São Paulo, started taking cavaquinho classes at the age of 17. It was on the indictment of his professor, with whom he talked about the desire to learn saxophone, that, in 2000, Tércio arrived at the Unibanda Project, at the State University of Campinas (Unicamp).


“He told me about this project, which taught wind instruments. I couldn't take it, I went there to meet and signed up, of course. From that moment on, my career as a saxophonist and flutist begins. ” During the five years in which he participated in the project, Tércio played in Unicamp bands, in the Campinas Philharmonic Orchestra, in the Flute Orchestra, in the Carlos Gomes Band and in the Musical Corporation Campineira dos Homens de Cor.


And it was in the same year that he started at the Unibanda Project, currently called Escola Livre de Música (ELM), that Tércio arrived at Anelo. “As soon as Anelo started working, I met Luccas (Soares, founder and general coordinator) and was invited to participate in the first Band Practice. Anelo, for me, represents quality music and musicians. It shows that a periphery can have instrumental music and excellent musicians ”, says the professor.


Over these 20 years, Tércio has become an important part of the Anelo family and, which deserves all the accolades, has not stopped investing in his own training as a musician and educator. He studied MPB and Jazz at the Dr. Carlos de Campos Dramatic and Musical Conservatory, in Tatuí, from 2004 to 2006; studied at Faculdade Souza Lima, in São Paulo, 2008 to 2010; took a free course in Analog and Digital Audio, from 2010 to 2014; and also P.A. and Studio Sound.


In 2018, he graduated as a pedagogue from Faculdade Anhanguera de Campinas. “Today I can say that I am a teacher / educator. I am living the best phase of my life ”, says Tércio, who besides teaching at Instituto Anelo is a teacher of chips, saxophone and flute at Master Guitar schools, in Barão Geraldo, and Cia do Groove, in the Center. He is also a teacher and instructor of bands and metals at the São Paulo State Department of Education.


“I work with two schools a year, where I capture students interested in music, without age and restrictions, to learn from the basics in musical and body rhythms to wind instruments”, he explains. The objective of this project, he says, is to form school symphonic bands that replace the old fanfares. Theoretical classes and musical techniques are offered, accompanied by a whole lapidation process. At the end of the semester, the presentations take place.


Even with all these activities, Tércio Pereira still dedicates himself to another of his passions: samba. “Anyone who knows me knows that I was born in samba”, says the musician, who has already joined important names of the genre such as Almir Guineto, Fundo de Quintal, Marcelinho Freitas, Márcio Art, Joãozinho Carnavalesco Originals do Samba, Nereu do Trio Mocotó, Teresa Gama and Matoli from Clube do Balanço. He currently integrates the groups Nossa Maneira, from Campinas, and Samprazer, from São Paulo.


In addition to performing at concerts, he also recorded with some samba groups in the region, such as Semper à Frente, from Indaiatuba, and Grupo Presença, from Campinas; with Thiago Carvalho and Banda, by Barão Geraldo, this work is dedicated to pop; and with the Dom Bosco Soul project, created by friend and professor Fábio Fidélis, in which he did production, arrangements, mixing, mastering and recording. “It was a wonderful job,” he says.


INTERNATIONAL TRAVEL


Thanks to the Anelo Institute, Tércio Pereira traveled abroad three times: Italy, in 2015 and 2016, and South Africa, in 2018. “Yes, I thought about taking a trip abroad, knowing new cultures, beautiful places and such. . But I never imagined that music could provide that for me, ”he says, recalling the first invitation for Anelo to participate in the Arcevia Jazz Feast, a jazz and improvisation seminar that takes place annually in the city of Arcevia, Italy.


He says that he promptly accepted the invitation made by Luccas Soares to join the group, which made a bazaar, sold pizzas, performed at June parties and performed in public squares paid for by the City of Campinas in order to raise funds and fund the trip. and hosting. “We went with the face and courage and a lot of willpower. One of the best experiences of my life. ” In 2016, the musician returned to participate in the event, which became a partner of Instituto Anelo.


In 2019, it was time to embark for South Africa, where he traveled with the Anelo 6teto, see, as a percussionist. “For the first time I felt like a real artist,” says Tércio about the group's participation in the Standard Bank Jazz Festival in the city of Makhanda. “It is a huge structure, an international festival. This one I really want to return to, because we made good friends, made me grow as a person and made me learn the language ”- in South Africa, English is spoken.


“Music took me and will take me to places I can't even imagine, and I am grateful to Anelo and Luccas Soares for that”, adds the professor, who played in dance, rock and wedding bands, and shows himself to be a proud father by his son Gustavo taking his first steps in music. “He's already risking some flute studies and took classes at Anelo last semester. I love it, of course, will have all the encouragement and support of the father. ”


THE PHRASE

"Fly with the music, it transforms and I believe."


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