Os reflexos da pandemia na vida de jovens em situação de vulnerabilidade social em Maceió

Atualizado: Set 6

Por Lucas Thaynan - Jornalista


“Sinto falta de ir para ONG, ir para escola e brincar fora de casa”, este relato do João Carlos, de 11 anos, reflete bem o sentimento da maioria das crianças e jovens atendidos pelo Centro Social Madre Maria Rosa (CSMMR), em Maceió. E que por conta da pandemia do novo coronavírus se viram obrigados a permanecerem dentro de casa, longe de muitas das atividades que tanto gostam de fazer.



Se para os adultos a Covid-19 trouxe inumeráveis reflexos negativos, para os jovens não é diferente. E em alguns casos podem ser ainda mais danosos, como para os que vivem em lares humildes na periferia da capital de Alagoas. A falta de acesso à internet, não ter aparelho celular, computador e até mesmo espaços adequados para as brincadeiras são barreiras impostas atualmente que dificultam a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal de muitas crianças e adolescentes da cidade.


Para superar a saudade das coisas que gosta de fazer, João relata como está sendo o seu dia a dia dentro de casa: “Estou estudando aqui mesmo e brinco com os meus irmãos. Mas não mexo na internet porque não tenho celular e minha mãe não me dá o dela. O mais chato mesmo é que não estou podendo sair para nenhum lugar”, conta.


‘Não temos culpa disso ter acontecido’


Letícia da Silva, de 16 anos, está no primeiro ano do Ensino Médio e é uma das jovens atendidas pelo Centro Social. Ela também foi obrigada, por conta da pandemia, a estudar em casa. Mas vê o seu sonho de ingressar no curso de Biologia mais distante por conta das muitas dificuldades que tem em assistir às aulas e em concluir as atividades que a escola pública, onde estuda, envia pela internet.



“Só tivemos uma semana de aula na escola e aí foi quando a gente entrou em quarentena. E desde então estamos tendo as aulas online, mas os conteúdos são confusos e está muito difícil de aprender”, relata Letícia que conta ainda ser um desafio estudar pelo celular. “Faço as tarefas pelo celular e é muito difícil de acompanhar tudo porque a tela é pequena e o aparelho fica dando muito erro. Inclusive, eles enviam algumas atividades por PDF mas, muitas vezes, não consigo acessar o arquivo. O ideal seria um computador, mas eu não tenho”.


A situação não é diferente para os seus colegas de turma. Muitos, até mesmo, não têm acesso à internet e nem possuem aparelho celular. “Todos os meus amigos de turma estão passando por dificuldades como eu. Eles até pedem a minha ajuda para entender como se faz as coisas. Tem muitos que não têm internet e outros nem celular para estudar. Aí fica difícil”.


Letícia conta que, apesar das dificuldades que os alunos passam diariamente, as cobranças por parte da escola continuam. “Os professores falam que se não responder as tarefas a gente pode ser reprovado. Mas me pergunto: ‘Como vão reprovar esses alunos que não têm internet nem celular?’. Nós não temos culpa disso ter acontecido, os professores não têm o direito de reprovar os alunos, isso será injusto!”.


The effects of the pandemic on the lives of young people in socially vulnerable situations in Maceió


By Lucas Thaynan - Journalist


“I miss going to the NGO, going to school and playing outside the house”, this report by João Carlos, 11 years old, reflects well the feelings of most of the children and young people served by the Centro Social Madre Maria Rosa (CSMMR), in Maceió. And because of the pandemic of the new coronavirus, they were forced to stay indoors, away from many of the activities that they love to do.


If Covid-19 brought countless negative reflexes to adults, it is no different for young people. And in some cases they can be even more damaging, such as for those who live in humble homes on the outskirts of the capital of Alagoas. The lack of access to the internet, not having a cell phone, computer and even adequate spaces for playing are barriers currently imposed that hinder the learning and personal development of many children and adolescents in the city.


To overcome his longing for the things he likes to do, João reports how his day to day at home is going: “I am studying right here and playing with my brothers. But I don't move on the internet because I don't have a cell phone and my mom doesn't give me hers. The most annoying thing is that I am not able to go anywhere,” he says.


'We are not to blame for this having happened'


Letícia da Silva, 16, is in her first year of high school and is one of the young people served by the Social Center. She was also forced, due to the pandemic, to study at home. But she sees her dream of entering the most distant Biology course due to the many difficulties he has in attending classes and completing the activities that the public school, where she studies, sends over the internet.


“We only had a week of school at school and that was when we were quarantined. And since then, we have been taking classes online, but the content is confusing and it is very difficult to learn ”, reports Letícia, who also says that studying via cell phone is still a challenge. “I do the tasks on my cell phone and it is very difficult to keep track of everything because the screen is small and the device is giving a lot of error. They even send some activities via PDF, but I often cannot access the file. The ideal would be a computer, but I don't have it ”.


The situation is no different for your classmates. Many, even, do not have access to the internet and do not even have a cell phone. “All my classmates are going through difficulties like me. They even ask for my help to understand how things are done. There are many who do not have internet and others do not have cell phones to study. Then it gets hard".


Letícia says that, despite the difficulties that students face daily, the charges from the school continue. “The teachers say that if we don't answer the tasks, we can fail. But I wonder: ‘How are they going to fail these students who don’t have internet or cell phones?’. We are not to blame for this, teachers have no right to fail students, this will be unfair! ”.


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