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O que está acontecendo com os Yanomamis?

Atualizado: 17 de mai. de 2023

A AbmthS conversou com Marcelo Moraes, coordenador da Ong Expedicionários da Saúde, que tem feito expedições regulares para a saúde e bem-estar dos povos indígenas na Amazônia.

Expedicionários da Saúde, Campinas, SP

Marcelo Moraes, coordenador da EDS

Marcelo, por favor, conte-nos o que as equipes da EDS têm encontrado nas expedições à Terra Yanomami.

O que se vê, ao chegar no Surucucu e em tantas outras moradas desses brasileiros, são sobreviventes. Xamãs e Pajés que antes existiam em comunhão e harmonia com a natureza, hoje fazem rezas para que suas crianças não morram de fome ou contaminadas com o mercúrio deixado pelo garimpo. Outras endemias que antes não existiam lá, nasceram da imoralidade e ganância do homem branco.


O que causou essa crise humanitária?

A invasão ilegal de mais de 20 mil garimpeiros, que passaram a ocupar regiões da Amazônia que até então, eram intocadas, como as que fazem divisa com a Venezuela: - Os yanomamis se viram sem opções de plantio, de caça e pesca e hoje a fome, a tem causado casos graves de desnutrição. E não foi só isso, com a chegada dos garimpeiros surgiram também, surtos de doenças como a malária e diversas infecções respiratórias como a Covid-19 e pneumonia.

Membro da EDS em ação na Terra Yanomami

Como está a situação na Terra Yanomami hoje?

No início do ano chegamos ao ápice dessa crise: 1,8 crianças yanomami morriam por dia, só naquele território. Índice superior ao deserto subsaariano, onde não há sistema público de saúde algum. Afastar o garimpo ilegal tem sido fundamental, mas é apenas o início de uma reparação da história recente de um povo que, agora, sofre com fome, dor e morte, cotidianamente. Chegamos a um momento crucial e inadiável em que temos a oportunidade de tirar 30 mil indígenas dessa sombra que parece ter escondido a Terra yanomami do mapa demográfico do Brasil nos últimos anos.


Quando as fotos de idosos e crianças em estado grave de desnutrição circularam pelas telas no começo desse ano, a nação se mobilizou ao ver escancarada a situação de saúde desses indígenas (e brasileiros, antes de todos nós) esquecidos pela pátria mãe que, ao menos com eles, há algum tempo não é gentil. Mas ao que parece, agora, quando o garimpo ilegal aos poucos perde espaço – ao menos neste território, vale reforçar – câmeras e holofotes se apagaram e o assunto saiu das primeiras páginas, é como se o problema de anos tivesse sido, então, resolvido. Mas ouro não mata fome. Nem verme. Nem malária.


O que a EDS está fazendo para ajudar os indígenas?

Estamos, neste momento, trabalhando para instalar um centro médico de referência que será mantido na Terra Yanomami por tempo indeterminado. Apesar do imenso esforço de nossas equipes e de parceiros, que trabalham ali arduamente há um mês, a situação destes indígenas é crítica. Tem sido difícil e muito mais trabalhoso do que deveria ser, mas nós não desistimos. Temos pressa. A vida não espera. A fome não espera. E o ouro não mata fome.

O garimpo ilegal aos poucos se vai e o ouro fica. Ficam também a fome, as doenças e as consequências de um pedaço de floresta envenenado e profundamente machucado, assim como seu povo. E apesar da sensação de impotência, vez ou outra, tentar tomar espaço no nosso coração, persistimos presentes nos lares destes povos originários do Brasil. Afinal, nós sabemos que, assim como a floresta, o povo yanomami resistirá. Mas, nem todo ouro que ainda existe lá, vai trazer de volta as vidas indígenas perdidas.


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