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Natal às margens: O poder de transformar vidas está em nossas mãos

“A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e verdade. E nós vimos a revelação da sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do Pai.” João 1,14



Se aproxima o Natal, época de celebrar a vida do menino Jesus e também a nossa que foi salva por Ele. Mas como será o natal para a população que vive às margens da grande Metrópole de São Paulo? Como será um natal às margens da cidade, da sociedade, das condições de vida digna como saneamento básico e fornecimento de energia?


Toda essa situação não é novidade, há muito tempo vemos parte da população brasileira sobreviver em condições de extrema miséria. Muito se fala sobre isso, mas poucas ações são realizadas para transformar essa realidade.


A comunidade Haiti, na zona leste de São Paulo, é um quadro vivo desse problema. A favela surgiu em 2015, com a chegada de famílias sem teto, que foram expulsas de outros terrenos invadidos na cidade. Enfrentando inúmeros problemas, hoje a comunidade abriga, em suas vielas estreitas, duzentas famílias.



Irmã Ana Griffin, missionária do Santo Rosário, que se faz presente na comunidade desde 2016, lembra que quando chegou, as necessidades eram grandes: - Moradias frágeis construídas com material reciclado que poderiam sucumbir facilmente em caso de incêndio. A saúde das crianças era precária e o desejo de um acompanhamento espiritual era gritante. As famílias conviviam com o medo de perder seus filhos para o fogo ou para doenças que surgiam em meio a falta de um sistema de esgoto e água encanada.


Em meio ao caos, Irmã Ana aceitou o desafio de estender as mãos para os que moram ali. E os encontros de oração que a irmã realiza ainda hoje na comunidade, se tornaram sagrados para homens e mulheres compartilharem suas histórias e o desejo de vida melhor.


Com o passar dos anos, outros olhares foram se voltando para a comunidade e a vida daquelas famílias começou a ser transformada. E se pensarmos em Natal, lembramos que Jesus nasceu num estábulo e que a sua presença naquele lugar, trouxe luz e esperança. Assim acontece também na favela Haiti: - A comunidade cristã cresceu e uma capela foi construída com a ajuda de benfeitores da Irlanda e dos moradores que receberam, do poder público, garantias de que não serão expulsos do terreno. As famílias se mobilizaram para comprar canos de pvc e organizar o esgoto. As casas estão sendo construídas com tijolos sobre fundações sólidas, e enfim, as famílias encontram segurança e esperança no lugar do medo.



Como diz irmã Ana: - A vida às margens, ensina a ter paciência. E nesse processo os moradores se organizaram. Hoje eles se reúnem na capela Nossa Senhora das graças para atividades sociais e religiosas. Há quatro anos a pastoral da Criança, cuida de gestantes, mães e crianças até seis anos. Além do acompanhamento, a pastoral acolhe e forma essa população. Todo esse trabalho é feito por lideranças sociais da própria comunidade.


E assim, chega o Natal na comunidade Haiti, acolhendo o menino Jesus que também nasceu em um lugar de vulnerabilidade. E as palavras de irmã Ana, nos ensinam, o que os moradores da comunidade já aprenderam: - “As margens são onde a vida acontece em seu estado mais bruto. Onde a vida existe com dureza e, incrivelmente, ternura e amizade. É também aí que Emanuel, Deus conosco, nasce de novo e de novo, nos acontecimentos inseguros e imprevisíveis da vida: - Um bebê envolto em roupas de segunda mão, dormindo pacificamente irradiando esperança, paz e alegria.”


Há muito ainda o que ser feito pela comunidade Haiti, mas cada conquista, cada mão estendida, por menor que seja a ajuda oferecida, é capaz de colocar um sorriso no rosto das pessoas que vivem ali e de transformar sonhos em esperança viva de que a vida digna vai chegar. E mais uma vez, com palavras sábias, irmã Ana nos leva a refletir: -“Eles vivem no limite onde a vida é preciosa e viver é perigoso”. Eles vivem às margens! Vivem o hoje, sem pensar como será o amanhã, porque sobreviver agora é mais importante. E nesse Natal não será diferente. Mas eles sabem o que verdadeiramente é comemorado na noite de Natal, porque aprenderam que a vida é preciosa, é divina. Talvez o que esteja faltando para eles, seja você estender as mãos, afinal não é preciso muito para ajudar, basta abrir o coração e se “encher de Natal!”


*Escrito com a colaboração da Irmã Ana Griffin, Irmã Missionária do Santo Rosário com mais de 30 anos de serviço missionário no Brasil. Atualmente acompanha a Comunidade Nossa Senhora das Graças na favela Haiti, São Paulo.

 

Christmas at the margins: The power to transform lives is in our hands


"The Word became flesh and made his dwelling among us. We have seen his glory, the glory of the one and only Son, who came from the Father, full of grace and truth.” John 1, 14


Christmas is here, a time to celebrate both the birth of child Jesus and our lives saved by Him! How will such an event be celebrated by the great amount of people that live on the margin of Sao Paulo City? What will Christmas be like for them?

On the margins of the metropolis of São Paulo, the fourth largest populated city on Earth is a little Favela called Haiti. It began in 2015 when homeless families occupied vacant land on the periphery of the city and built fragile dwellings of salvaged material.


I was invited in 2016 by a Spiritan Missionary to be a presence in the emerging favela. He said, ‘do what you can for the needs are great and there is no one to accompany the people’. I began by visiting families, sharing stories and listening to their concerns.

The two primary requests were for prayers and the health care of their children. The women invited me to visit their barraca (dwelling), say a prayer and give a blessing. There was a great fear of fire; life was precarious as was the electrical wiring. Homes were haphazard, a few wooden stakes nailed together, tied with plastic and secured together with pieces of timber. A fire could spread quickly in a matter of minutes and destroy their few earthly possessions. The second concern was the health of their children due to the cold and makeshift dwellings.


The visits were and are sacred encounters where women and men share their stories for a better life. They live on the edge where life is precious and living is dangerous. It was in the midst of such vulnerability like in the stable outside Bethlehem that Jesus was born; breaking into the places of no significance, of vulnerability, bringing light, hope and peace.


In 2018 or so, the community received assurance from the authorities that they would not be forced off the vacant land. They were granted permission to stay, albeit, without documents. Nonetheless, this assurance was a tumultuous relief, as up to that moment their situation was very tenuous. Today Haiti has become an established community of 200+ families.


The Basic Christian Community has grown; a small chapel has been built with the help of benefactors from Ireland and with the labor of the local community. Called Nossa Senhora das Graças (Our Lady of Grace), it has become the meeting place for a variety of activities both religious and social. It is where the community gathers to celebrate, plan, organize and attend a variety of workshops. Pastoral da Criança (Childrens’ Pastoral), which is responsible for the care of pregnant women, mothers and children up to the age of six is completing four years of service and is run by local leaders from the community. The leaders visit the families once a month and have a gathering every third Saturday to celebrate Life. The celebration involves welcoming, accompanying, giving input and ends with the sharing of a simple lunch.


The once makeshift homes are being replaced with bricks and solid foundations. Due to a shortage of ground space, each house measuring about four by six meters is built like a miniature high-rise with one room built on top of the other. The width of the becos (street in a favela) measure about a meter and a half. However, some of the basic structures are in need of improvement and reorganization. For example, the community is in the process of organizing the sewerage system for the health and safety of all. Each family is contributing the equivalent of six dollars to buy new PVC pipes, dig trenches and clean up the sewerage system. It will take time, dialogue, consensus, teamwork and trust. Life on the fringe teaches one patience. Most of us were reminded of such a value during the Pandemic, sometimes there maybe instant solutions, but transformation takes time.


Margins are where life happens in its rawest state. The place where nothing is perfect, nothing is finished, where life is both ugly and tender. Margins are where hopes and dreams are forever in the process of becoming, it is a constant evolving. It is where children are born into what appears to be a hopeless place with no security. Where the sick, the addicted, the misfits, the wounded, the unemployed and the hopeful eke out creative ways to live into the next moment. It is in such struggling places of vicissitudes, on the margins of our world that Emmanuel, God with us, is born again and again. Born into the insecure and unpredictable happenings of life. A baby wrapped in second hand clothes, sleeping peacefully radiating hope, peace and joy.


*Written by Sister Ann Griffin, a Missionary Sister of the Holy Rosary with over 30 years of missionary service in Brazil. She is presently accompanying the Community Nossa Senhora das Graças in the favela Haiti, São Paulo.








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