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Capítulo 4 – Apostolado em Xangai


A diretoria executiva do voluntariado para assistência emergencial. Foto tirada com o Prefeito de Xangai depois da Segunda Guerra Mundial. O Pai, terceiro à esquerda, sentado.

Nossos pais eram muito ativos no novo e crescente laicato chinês em Xangai, sob a orientação espiritual do Padre Beda Chang e seus colegas Jesuítas. Depois da guerra, Xangai tornou-se a cidade mais importante da Ásia. Sacerdotes, religiosos e missionários de várias congregações e nacionalidades passaram a frequentar a nossa casa. Nossa Mãe formou muitos grupos de mulheres para a oração e o estudo; ela também agregou e ajudou muitas crianças pobres e órfãos de guerra, dando integral apoio ao maravilhoso e humanitário trabalho dos Padres e Irmãs Salesianos. Dois primos da Família Sieh ingressaram nessas congregações. A Família Sieh e o Pe. Braga, o superior provincial dos salesianos na Ásia, tornaram-se bons amigos. Ele foi especialmente cativante para nós, os filhos. Em contraste com os Jesuítas, que tendiam a ser mais sérios e reservados, dada a sua rígida formação intelectual, ele era alegre, amistoso e sempre tinha um grande sorriso no rosto.



Jogo de futebol no mesmo colégio. O Pai está assistindo, sentado na primeira fileira.



Inauguração da celebração da festa de Nossa Senhora da Conceição no Colégio Zei Wei. O evento foi patrocinado pelas empresas da Família Sieh em Xangai.

Sentávamos em seu colo, enquanto tocava piano, cantando e assobiando suas árias italianas prediletas. Embora o respeitássemos, sua presença não provocava nenhum temor. Molia, a mais afoita das irmãs, costumava até puxar sua barba. Nossa Mãe, muito severa, ficava brava com o nosso comportamento, mas o Padre Braga intervinha por nós e escapávamos sem castigo. Em homenagem aos salesianos, nosso sétimo irmão foi chamado John Bosco.




Delegado Apostólico Pe. Mario Zanin.

Durante esse período, o Pai acumulou uma longa lista de boas obras para a Igreja: doações para a criação de muitas novas paróquias e a construção de igrejas, escolas e noviciados. Suas indústrias patrocinaram eventos para arrecadar fundos para o envio de muitos seminaristas e jovens sacerdotes para estudar no exterior. O plano era o de enviar os melhores para que fossem bem preparados para o potencial enorme que a China representava para o Cristianismo.










Nossa Senhora de She Shan






Após a guerra, houve um aumento fenomenal de convertidos ao Catolicismo. Um desses jovens sacerdotes brilhantes era o Pe. Michael Chu, SJ, que foi enviado a Paris e subsequentemente proibido de voltar para a China, depois da Revolução Comunista. Posteriormente, tornou-se membro do Conselho Geral dos Jesuítas,sob Pe. Pedro Arrupe, SJ, durante décadas o Superior Geral da Ordem, em Roma.














Igreja Católica na China, 1939-1948


Cardeal Thomas Tien, o primeiro Cardeal da China.

O Papa Pio XII era profundamente respeitado pelos católicos chineses; o que ele fez pelos chineses foi comparável ao que o Papa João Paulo II fez pela Igreja na Polônia. Durante séculos, a Igreja tinha pouco e difícil acesso ao povo da China, isso porque, como Igreja, ela não reconhecia o costume confuciano local de honrar os familiares falecidos. Para os chineses, esse costume era um ritual antigo; para a Santa Sé, era um exercício religioso que estava em conflito com o dogma católico. Devido a esse conflito, bem como a sua origem estrangeira, a Igreja encontrou muita resistência na China. Depois de um mês após sua eleição, o Papa Pio XII iniciou uma mudança dramática na política.







No memorial de Sun Yat Shen, o primeiro Presidente da República da China.
Esta foto é muito significativa por registrar um momento importante na Igreja Católica na China: o Cardeal Tien, primeiro Cardeal da China, liderou os fiéis, clero e leigos, numa romaria ao Santuário Mariano de She Shan para agradecer à nossa Mãe Santíssima pelas graças e bênçãos recebidas.



O Pai trajando o uniforme dos Cavaleiros da Ordem de São Gregório.

Em 8 de dezembro de 1939, a Sagrada Congregação para a Propagação da Fé publicou, a seu pedido, uma nova instrução pela qual costumes chineses, uma vez considerados supersticiosos, passaram a ser reconhecidos como uma maneira honrosa de demonstrar estima por seus parentes e, portanto, permitidos para os cristãos católicos. Depois de pouco tempo, o Governo da República da China estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé, em 1943. O decreto papal mudou a situação eclesiástica na China de uma forma quase revolucionária.




O Arcebispo Yu Pin, com o Delegado Apostólico Mario Zanin e o comitê que recebeu o Cardeal Tien e o Pai na chegada dele a Nanking, então capital do Governo Nacionalista da China.



A Bênção Apostólica do Papa Pio XII

Após a Segunda Guerra Mundial, cerca de quatro milhões de chineses já professavam a fé católica. Em 1948, a Igreja Católica tinha 254 orfanatos e 196 hospitais, com 81.628 leitos, e realizava muitos trabalhos pastorais em toda a China. Embora os católicos representassem menos de um por cento da população, haviam crescido numericamente de forma significativa.














No trem com o Cardeal Tien depois da viagem memorável a Roma.

Infelizmente, o potencial missionário da China não teve tempo para se realizar. No entanto, antes do comunismo acabar com tudo, houve mais um momento histórico e cheio de esperança para a Igreja Católica chinesa, e nosso Pai foi um dos principais participantes. Esse importante episódio foi a nomeação do Arcebispo de Pequim, Thomas Tien Ken-sin, SVD, ao Colégio dos Cardeais, em Roma. Ele se tornou o primeiro Cardeal chinês na história. Na mesma época, o Papa Pio XII elevou o status da China dentro da Igreja e enviou para a China um Delegado Apostólico, Pe. Mario Zanin, para supervisionar o estabelecimento de uma hierarquia local.





Nosso Pai foi escolhido como único delegado para representar o governo chinês e o laicato católico na celebração a se realizar em Roma. Seu status em Roma foi equivalente ao de um embaixador. Foi uma honra imensa para um homem que não tinha praticamente nenhuma experiência política, tanto na Igreja como na esfera estatal.


Nós, os filhos, só nos lembramos da enxurrada de atividades em casa como parte da preparação para a sua viagem a Roma. As fotografias, que se encontram neste livro, captam talvez a melhor recordação daquele momento histórico. O lado positivo dessa experiência foi a forma com que nosso Pai interagiu com a hierarquia eclesiástica. Ele ficou extremamente bem impressionado com a inteligência e santidade do Papa Pio XII, e se deu muito bem com o Secretário de Estado, Monsenhor Giovanni Baptista Montini, que mais tarde viria a tornar-se o Papa Paulo VI, amigo de nosso Pai ao longo da vida.


Do lado negativo, o cidadão Joseph Sieh tornou-se identificado pelos dirigentes comunistas chineses como um inimigo e, como tal, um dos seus principais alvos, depois da Revolução de 1948.


Quando voltaram de Roma, o entusiasmo era contagiante. Havia uma delegação de boas-vindas esperando para receber o Cardeal Tien e nosso Pai na estação de trem em Nanquim, então capital do Governo Nacionalista da China. Depois de muitos encontros com as autoridades, nossos pais voltaram para Xangai. Imediatamente depois, a Igreja com toda a sua hierarquia foi ao santuário mariano em She Shen, a pouca distância de Xangai, para dar graças à nossa Mãe Santíssima. As fotos tiradas no Santuário registram o auge da Igreja Católica na China, antes da Revolução Comunista


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